domingo, 6 de fevereiro de 2022

Santa Cunegunda, Imperatriz

Nascimento: Fins do décimo século
Falecimento: 3 de Março de 1040
Comemorada em: 3 de Março
Canonizada em: 29 de março de 1200 por Papa Inocêncio III

Santa Cunegunda
Foto: Wikipedia

    Cunegunda, filha de Sigfrido, senhor palatino do Rheno e primeiro conde de Luxemburgo e de Heswigis, descendente de uma das mais nobres famílias da Alemanha, veio ao mundo em fins do décimo século. Desde a mais tenra idade adivinhava-se nela as belas qualidades de sua alma. A uma rara formosura e viva inteligência unia a mais encantadora modéstia. Bebeu com o leite materno uma terna devoção à Nossa Senhora, haurindo assim o amor à castidade que devia ser o lema de sua vida. Chegando, porém, à adolescência, muito nobres apresentaram-se como pretendentes à formosa donzela. E sua mão foi concedida a Henrique, duque de Baviera, que, após a morte de Othon III, foi proclamado rei, sendo coroado em Mogúncia a 6 de unho de 1002; dois meses depois era Cunegunda coroada rainha em Paderborn, cujas igrejas enriqueceu com preciosos donativos.

    Cunegunda era a mãe dos pobres e todo o seu tempo o dedicou às obras de misericórdia. Vivendo inteiramente alheia ao mundo, não foi, porém, por ele esquecida e, em, breve, a maldade tentou macular aquela alma lirial. Tantas calúnias surgiram que o imperador acabou por dar-lhes crédito.


    Sem uma queixa, sem uma palavra de defesa, aceitou Cunegunda a cruel provação. Mas as murmurações chegaram a tal ponto que ela resolveu por fim justificar-se, sujeitando-se à prova do fogo, segundo as leis e usos da época, para testemunhar a sua inocência. No pátio do palácio um braseiro foi acesso, o qual a formosa e Santa imperatriz atravessou descalça, sem que a mais leve queimadura viesse magoar seus delicados pés!


Todos reconheceram, então, a sua pureza e Henrique procurou por todos os modos reparar as injúrias feitas a tão casta companheira. Mais afetuosamente unidos do que nunca, continuaram a trabalhar para a glória de Deus. Fizeram edificar, com as próprias rendas, a catedral de Bamberg, fundando Cunegunda, na mesma cidade o mosteiro das Beneditinas, dedicado a S. Miguel e depois um outro em honra a Santo Estevão; poucas, em verdade, foram as cidades da Alemanha nas quais a rainha-santa não deixou um monumento ou uma fundação.


Em 1024, faleceu o imperador Henrique, deixando a esposa entregue à mais profunda mágoa. No dia do aniversário da morte do marido, convocou ela grande número de prelados, afim de que fosse celebrada a dedicação da capela que fizera construir no mosteiro de Kaffungem, cerimonia à qual assistiu adornada de ostentosas galas e revestida das insígnias imperiais. Ao terminar a missa, aproximou-se do altar e ofereceu um pedaço do Lignu Crucis, engastado em riquíssimo relicário; em seguida, despojando-se dos adornos reais, vestiu um humilde habito de religiosa, de cor parda, feito por suas próprias mãos e bento pelos bispos. A seguir, cortaram-lhe os lindos cabelos e o bispo de Paderborn ofereceu-lhe o véu e o anel das esposas de Cristo. Abriram-se então as portas da clausura e Cunegunda desapareceu aos olhos do mundo. Quinze anos viveu ela no seu querido mosteiro, como a mais simples e humilde das religiosas, partilhando o tempo entre a oração, o cuidado das enfermas e os mais rudes trabalhos domésticos.


Chegou, porém, o momento em que aquela alma tão pura devia voltar ao céu. Poucos momentos antes de expirar, tendo já recebido os socorros da religião que tão admiravelmente servira, notou que as monjas preparavam um rico manto negro, bordado a ouro, para adornar a "eça" sobre a qual seria exposto o seu cadáver. E isto afligiu-a de tal modo que só recuperou a serenidade quando lhe foi prometido que seria sepultada na mais evangélica pobreza e que nem uma vaidade mundana viria relembrar que a humilde monja fora um dia imperatriz.


Morreu a 3 de Março de 1040, sendo seu corpo conduzido para Bamberg. Cento e sessenta anos mais tarde, em 1200, foi canonizada pelo papa Inocêncio III.

-------------------- 
Texto transcrito do Almanach do Correio da Manhã - 1940.
O texto reproduzido está em português atual.
O original está disponível no site da Biblioteca Nacional
====================






Nenhum comentário:

Postar um comentário

São Vital, Monge

Nascimento :  Falecimento : 625 Comemorado em : 11 de Janeiro São Vital foi monge de Gaza. Virtuoso, austero, depois de velho se decidiu a e...