quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

São Jerônimo - O Sapientíssimo Doutor

Nascimento:  340, em Estridon na Dalmácia
Nome: Sinfrônio Aurélio Jerônimo
Falecimento:
Comemorado em: 30 de Setembro


    SÃO JERÔNIMO (Sinfrônio Aurélio Jerônimo) Doutor da Igreja, nasceu em Estridon, na Dalmácia, no ano 340. Muito pouco se sabe de sua origem, infância e juventude. Filho de pais cristãos, tinha 20 anos quando o mandaram a Roma, onde fez estudos de latim e grego, afeiçoando-se por Terêncio, Virgílio e os filósofos. No ano 363, depois de se ter aperfeiçoado em dialética, retórica e filosofia, recebeu do Papa Libério a água do batismo. Seguiu mais tarde a Treveris, onde iniciou e completou seus
conhecimentos de Teologia, dirigindo-se à Síria. Cansado do mundo, entristecido pela morte de um companheiro de viagem a quem professava grande afeição e procurando a paz que lhe pedia seu espírito, São Jerônimo entrou no deserto, onde viveu quatro anos, em rígida penitência e jejum, entregue aos estudos. Lá aprendeu a língua hebraica dos lábios de um judeu converso.

    Voltando à Antioquia foi ordenado sacerdote pelo bispo Paulino. Em 380, conhecendo a fama de douto de S. Gregório Nazianzeno, foi a Constantinopla para estudar com ele e com outros célebres teólogos gregos. Ali o surpreendeu o chamado do papa aceitou, pedindo-lhe que voltasse a Roma para assistir ao Sínodo, que devia celebrar-se na sede do papado, em 382. S. Jerônimo aceitou o pedido do pontífice e ao chegar a Roma, Dámaso o nomeou seu conselheiro.

    Sua fama de santo e de doutíssimo teólogo transcende por todo o mundo cristão.

    Em 385 visitou a Palestina, os Santos Lugares e o Egito, radicando-se definitivamente em Belém, no ano 386. Porém seu grande espírito não se bastava de saber. Aprendendo a língua caldeia, dirigindo e conduzindo os monges que já se tinham juntado a ele, ensina-lhes a teologia, funda escolas, administra as hospedarias onde se abrigavam as turbas de peregrinos que o iam visitar no deserto e até combate energicamente a seita herética do pelagiano.

    Em 39 de Setembro do ano 420 veio a falecer na mesma cidade onde nascera N.S.Jesus Cristo.

    A obra de São Jerônimo - Por encargo do papa Damaso, S. Jeronimo redigiu um texto latino das Sagradas Escrituras, reduzindo ao seu teor original toda a versões em uso que tinham sofrido certas alterações. Também revisou o livro do Salmos, o livro de Job e outros. Sua obra gigantesca foi a tradução do Antigo Testamento, de seu idioma original, o hebraico, versão essa conhecida por Vulgata e adotada pela Igreja.

    Os livros de Esther e de Judith traduziu-os do aramaico. Ha que acrescentar-lhe ainda as versõe das Homilias de Orígenes, 14 sobre Jeremias, 14 sobre Ezequiel, 2 do Cântico dos Cânticos, o "Liber interpretationis hebraicorum nominum", e seu trabalhos independentes, tais como:"De serafim", "De Osana", "De tribus questionibus legis veteris" e os comentários "ad Ephesios", "ad Galatas", "ad Philomenem", vários livros sobre os profetas, cartas exegéticas comentário sobre o Evangelho de São Matheus e sobre o Apocalipse.

    Nenhum contemporâneo superou São Jerônimo no domínio da linguística e nos seus profundos conhecimentos da História, Arqueologia, Literatura e na interpretação dos textos bíblicos.

    Entretanto, S. Jerônimo escrevia muito depressa. Diz-se que quando escreveu um comentário à epístola "ad Ephesios", compunha mil linhas por dia. Em quatorze dias escreveu o comentário ao Evangelho de S. Mateus.

    Também são por demais interessantes as obras que S. Jerônimo escreveu sobre História e  Literatura. Entre as de caráter histórico figuram:"Vita Pauli Monachi", "Vita Malchi captivi Monachi", "Vita beati Hilarionis" e os epitáfios ou necrológios que escreveu, em homenagem a pessoas suas amigas. É famoso o arranjo das cartas cronológicas de Euzébio e o livro "De viribus illustris".

    Entre as obras polêmico-dogmática destacam-se o diálogo "Altercatio Luciferiani et Ortodoxi", a tradução de uma obra de Dídimo, o Cego, sobre o Espírito Santo, o tratado sobre Nossa Senhora, o livro "Adversus Jovinianum", os três livros dos "Diálogos contra os Pelagianus", etc.

    Finalmente, o que é mais conhecido na obra de S. Jerônimo são suas cartas, onde o gênio do pai da Igreja parecia achar seu melhor meio de expressão . Das Cartas conservam-se umas 120, cheias de beleza e verdadeiros documentos sobre a vida eclesiástica naqueles anos. As cartas foram o meio que S. Jerônimo usou para comunicar-se com seus amigos, inserindo muitas vezes práticas para os monges, homilias, conselho, respostas sobre dúvida em questões teológicas, etc.

    S. Jerônimo foi um dos máximos expoentes da Igreja em seu primeiro século. Já em vida era admirado por homens tão ilustres como Orosio e Santo Agostinho. Seu gênio está no manejo perfeito do textos bíblicos, a erudição em língua e antiguidades bíblica, sem que ninguém o avantajasse no domínio e conhecimento dos documentos eclesiástico.

    O corpo do sapientíssimo Doutor da Igreja repousa na Igreja de Santa Maria Maior, em Roma.



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Texto transcrito do Almanach do Correio da Amanhã - 1940.
O texto reproduzido está em português atual.
O original está disponível no site da Biblioteca Nacional
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